Frete gratuito ainda é o benefício preferido de quem compra on-line, mas poucos lojistas sabem o quanto realmente pagam para atender essa expectativa.
Quando a venda cresce, a taxa de combustível flutua, o aluguel do centro de distribuição reajusta, a embalagem encarece.
Sem visibilidade completa, a margem evapora e o preço final precisa subir de repente, assustando o cliente fiel. Entender cada centavo do frete é o primeiro passo para precificar de forma competitiva e sustentável.
Por que o frete parece barato até fechar a conta
Agências de transporte divulgam tabelas que mostram apenas o valor quilômetro e o prazo. No contrato, surgem adicionais como taxa de restrição de entrega, tarifa de manuseio para objetos volumosos e sobretaxa de alta demanda em datas sazonais. O lojista iniciante costuma ignorar esses itens porque só aparecem na fatura mensal. Somados, representam até 40% do valor final do frete.
Todos os custos que entram no pacote, não só o transporte
Além da tarifa da transportadora, entram no cálculo:
- Armazenagem e picking custo por palete ou por metro quadrado mais tempo do colaborador para separar o item.
- Embalagem caixa, fita, plástico bolha e etiqueta de impressão.
- Taxa de combustível cobrada toda vez que o diesel sobe acima da média de referência.
- Impostos sobre o frete ICMS varia por estado e incide direto na nota fiscal de serviços de transporte.
- Subsídio promocional descontos de frete grátis em campanhas pagas pela loja.
Esses valores devem ser trazidos para o centro do cálculo, pois saem do mesmo bolso que paga o anúncio e o custo do produto.
Fórmula prática para projetar o custo real por pedido
Uma conta enxuta, indicada por consultores de logística, soma todos os gastos de frete no mês e divide pela quantidade de pedidos enviados.
Custo de frete por pedido =
(valor pago à transportadora + material de embalagem + horas de picking + imposto sobre transporte + subsídios de frete grátis) ÷ total de pedidos expedidos
A diferença entre esse valor e o cobrado do cliente mostra quanto a operação absorveu ou lucrou com frete. Ao aplicar a fórmula a cada faixa de CEP, o lojista identifica regiões deficitárias e renegocia contrato ou ajusta preço localmente.
Testando faixas de frete sem espantar o comprador
Em lojas com catálogo variado, colocar valor fixo para todo o Brasil raramente funciona. A alternativa é precificar por raio ou região, usando CEP de origem e destino para construir três ou quatro faixas. Durante um mês, monitore abandono de carrinho em cada faixa. Se o índice subir acima da média no Sul, por exemplo, reveja o valor ou crie ponto de retirada para encurtar a rota.
Quando oferecer frete grátis sem perder margem
Frete grátis pode ser gatilho de venda, mas só vale quando a margem do produto cobre a conta. A prática mais segura é definir ticket mínimo que pague o frete médio da operação.
Se o custo de frete por pedido for quinze reais, ofereça frete grátis acima de cento e cinquenta reais, garantindo que o percentual de frete sobre a venda fique abaixo de dez por cento. Outra saída é subsídio compartilhado: cliente paga parte do valor, loja cobre o restante.
Exibição inteligente do valor: transparência que converte
A pior experiência é descobrir o valor do frete na última etapa. Plug-ins de cálculo antecipado mostram o custo já na página do produto, evitando susto no carrinho. Também vale indicar previsão de entrega no mesmo local.
Estudos de experiência do usuário apontam que mostrar prazo e frete ainda na página de produto reduz abandono em até 10% em moda e eletrônicos. Transparência passa segurança e ajuda o comprador a planejar a compra.
Otimizando custos ao longo do tempo com dados do pedido
Com o cálculo de custo real por pedido em mãos, o próximo passo é integrar dados de volume, peso e destino para negociar melhor tarifa com transportadoras.
Alguns lojistas reduzem custo em até 20% ao separar produtos leves para transportadora expressa e deixar boxes volumosos com operador regional. Acompanhando essas métricas mês a mês, é possível ajustar embalagens, escolher rotas alternativas e até migrar de centro de distribuição, garantindo frete competitivo sem sacrificar margem.
Dominar os custos ocultos do frete exige disciplina de cálculo, testes de precificação e comunicação transparente com o cliente. Quando a loja controla cada componente do valor de entrega, mantém preços sustentáveis e ainda fortalece confiança, criando ciclo virtuoso de vendas saudáveis.